A passagem primaveril é normalmente muito menos interessante que a passagem outonal em Peniche, existem excepções e em Junho de 2010 houve uma delas:
Nesse ano houve uma passagem muito perto da costa de sternas e painhos, com centenas de aves/hora, com a particularidade das sternas serem maioritariamente indivíduos de 2º ano, portanto não reprodutores que foram inspeccionar as colónias a meio da época.
2013 prometia ser um bom ano, a nível de invernantes foi um dos melhores de sempre, com os alcídeos e as gavias a darem espectáculo e sendo verdade que não apareceu nenhuma gaivota Mega, apareceram varias interessantes, no global foi um bom inverno.
Mas a passagem 2013 tem sido uma autentica seca, por incrível que pareça ainda só vi um Moleiro-parasitico e de pomarinus nem sinal, o vento esteve de norte quando deveria estar de oeste ou de leste, e quando deu vento de leste foi na altura errada com chuva á mistura… enfim um horror.
Mas a semana passada as coisas compuseram-se, na quinta-feira insisti nos moleiros, e apesar do vento forte e de oeste vi logo que ia ficar a zero, não estavam a passar sternas e quando não passam sternas não passam moleiros. Alem de que estava a chover e estava frio, portanto, era cedo, estava um vendaval, a chover e ainda por cima estava frio, via-se logo que estávamos em Março…
Mas eis que então vejo avançar contra o vento uma figura preta, branca e cinzenta, um adulto de Gaivota de Sabine, esta espécie é para mim uma espécie mítica, embora já tenha vistas varias tanto a partir da costa como em pelágicas:
Nunca me canso dela, primeiro porque é pequena, depois porque é muito bonita e acima de tudo porque é uma espécie que simboliza um bom dia de passagem de marítimas.
As espécies marítimas que ocorrem em Portugal podem ser divididas em 3 grupos:
Costeiras: Espécies como a Cagarra e a Pardela-balear, que ocorrem sempre junto à costa e são fáceis de ver.
Mistas: Espécies que ocorrem a alguma distancia da costa e precisam de tempo favorável para serem vistas, moleiro-parasítico, pardela-de-barrete e pardela-preta
Pelágicas: As espécies em que é preciso um temporal para passarem junto á costa, dessas varias são raridades não porque sejam de facto raras mas sim porque existem poucos registos das mesmas, a Sabine é uma delas.
Por ser tão difícil de ver a partir de terra é sempre bom sinal quando aparece uma delas, infelizmente não foi o caso desta vez, para além da sabine pouco passou, no entanto na sexta feira seguinte estavam a passar almas-de-mestre ao largo do porto de Peniche, como sinal é excelente, mas será que se vai repetir o evento de Junho de 2010?
Postado por Pedro Ramalho
Março é sempre uma incógnita, é o início da migração e trás sempre a esperança de boas passagens e alguma raridade perdida, é também o ultimo mês da época para as gaivotas e é um mês excelente para procurar Frangas-de-agua, e para marítimas é provavelmente a melhor altura do ano para papagaio-do-mar.
O Março de 2013 começou de uma maneira promissora com ventos de leste, mas depois a situação alterou-se, com chuva e ventos de quadrantes menos promissores, as migratórias terrestres não aparecem, e se no mar a passagem já começou a instabilidade do tempo faz com que seja difícil prever quais os bons dias.
Ontem a passagem esteve muito boa, particularmente de Melanitta nigra o que me levou a fazer um esforço hoje já que tenho alguma esperança de ver um fusca no meio dos nigras nesta passagem, mas hoje estava tudo quieto, com um tempo que parecia perfeito para melanittas não havia movimento…
O problema principal é o vento que se faz sentir em Gibraltar, as migratórias estão a ser empurradas para leste, e mesmo os papagaios-do-mar terão dificuldades em sair do mediterrâneo para as suas zonas de reprodução.
Sendo assim restam as gaivotas, e nesta altura do ano as duas espécies a procurar são as mega raridades Larus cachinnans e Larus smithsonianus, infelizmente é também a época do ano em que devido ao desgaste da plumagem os 1º invernos de micha ficam mais parecidos com cachinnans.
Outra hipótese interessante é a ocorrência de espécies de gaivotas/limícolas/patos americanas que tendo vindo parar ao nosso lado do atlântico tenham indo invernar a africa e estejam agora a subir a costa. Infelizmente e dado o panorama não é fácil decidir quais os habitats a cobrir, para já procurar porzanas parece inútil, migradores terrestres também, patos e limícolas são uma hipótese mas o outono passado não trouxe muitas nearticas para a europa por isso talvez não seja a opção com melhor retorno, esperar para ver o que acontece com as marítimas é apostar no tudo ou nada, e não nos podemos esquecer das gaivotas…
Postado por: Pedro Ramalho
Nos últimos dias o vento tem estado de leste e bastante forte, nesta altura do ano normalmente isso quer dizer migratórias, mas este vento tem sido acompanhado de chuva, o que basicamente implica que os passeriformes ficam em terra.
Ventos de leste também implica que a observação de marítimas é um exercício de masoquismo, portanto o que pode um observador observar no início de março se a migração de terrestres está parada por causa da chuva e a passagem de marítimas é inexistente? Gaivotas obviamente!
Na segunda-feira observei na ribeira de são domingos uma provável Larus argentatus 2º inverno, hoje de manha fui fazer a ronda para a tentar encontrar bem como a 2ª glaucoides de 1º inverno que tinha encontrado na sexta-feira passada, e já agora porque não uma gaivota-de-bonaparte? Já que a do Porto só fez uma aparência?
O dia não começou muito bem, nada de especial no molhe nem no porto, mas depois no fosso dei com a polar que permanece desde janeiro na área nada mal mas não era bem dela que estava à procura.
Tive que ir para o trabalho, mas aproveitei a hora de almoço para insistir, estava com um pressentimento…
Par de Larus glaucoides Em plena marginal, que fofinhas, infelizmente uma delas pirou-se mas a outra estava numa de aproveitar o sol
Larus glaucoides Agora a questão é são as duas que vi na sexta, são diferentes, quantas polares é que estão em Peniche neste momento?
Nos últimos minutos da minha hora de almoço ainda consegui ver duas canus e um 1º invº de bico-riscado.
Quando sai, fui para o porto, mas mal tinha entrado recebo uma sms do Teodoro a avisar que estava um macho adulto de Arrabio na ribeira de são domingos, eis algo que não se vê todos os dias!!! Corri para lá, e ainda consegui ver o macho, mas já estava algo longe, por outro lado estavam MONTES de gaivotas, montes e montes de fuscus e michas… uma hora a ver montes e montes de gaivotas sem uma única interessante… deprimente, no entanto eu estava a ver muitas a pousar na praia do molhe leste, e antes de abandonar o spot, fui lá espreitar, e na ponta do bando tive a minha cereja, um adulto de audouin!!! Espectáculo, e algo expectável, vento de leste em março=Audouin
Amanha o tempo começa a mudar, vamos ver o que os ventos nos trazem, Gaivotas-de-bico fino talvez? Ou será demais sonhar com um Corredor?
Postado por: Pedro Ramalho
Bom, ontem á noite o meu colega de fórum convenceu-me a ir espreitar o mar a Peniche, não me estava propriamente a apetecer levantar cedo, mas estou preocupado com uma questão relacionado com a argentatus de ontem, e pensei aproveitar a boleia para dar uma segunda olhada á ave.
O dia não começou bem porque sai de casa sem as chaves o que me forçou a levantar a minha muito querida e compreensiva esposada cama para me abrir a porta… depois desta pequena asneira da minha parte as coisas animaram.
Quando chegamos logo se tornou evidente que a passagem de tordas estava a ser monumental, no entanto no início tive um problema, tendo passado o inverno com o meu swarovski x60 passar a usar o meu fiel Nikon ED50 x30 foi um choque, as alcas pareciam-me todas minúsculas, via papagaios por todo o lado até começar a fazer os ajustes.
A passagem de Tordas para sul continuou durante a hora e meia que permanecemos nos remédios tendo passado mais de 1200 Tordas, entretanto o Hélder estava on fire tendo encontrado 1 Gavia sp que passou demasiado longe para garantir mas que era provavelmente uma immer, 4 papagaios-do-mar e 1 Airo, eu pelo meu lado vi rissas. nada mal certo?
Outro dos pontos altos do dia foi uma jangada mista com tordas e pardelas-baleares coisa que nunca tinha visto, e que estava muito perto donde estávamos.
Aguentamos um pouco na expectativa do Alle alle mas a tentação das gaivotas foi mais forte e fomos ao porto o que se veio a revelar um erro, não estavam quase gaivotas nenhumas e não vimos nada de especial, se tivéssemos ficado nos remédios podíamos ter congelado mas o Alle alle podia ter aparecido… enfim fica para a próxima.
Está será provavelmente a ultima vez deste inverno em que só passam invernantes, as migratórias estarão em breve a passar… Patos-fusco, será desta?
Tordas 1200
Papagaios-do-mar 4
Airo 1
Gavia sp 1
Pardelas-baleares 50
Postado por: Pedro Ramalho
Janeiro e Fevereiro são os melhores meses para ver gaivotas e este ano não tem sido excepção depois da glaucoides e hyperboreus de Janeiro eis que hoje encontro uma Larus argentatus no porto, não era bem desta que andava à procura mas…
Larus argentatus Larus argentatus Postado por: Pedro Ramalho; Fotos: Pedro Ramalho
Ontem encontrei em Peniche, perto do porto, uma Gavia immer, este ind, ao que parece já tinha sido observado por outros observadores.
Comparativamente com a ave observada em 28 de Novembro de 2012, este ind, apresenta uma plumagem de adulto ou 3cy não nupcial.
De acordo com Baker (1993), os juvenis fazem uma muda parcial no final do Inverno, confinada à cabeça, corpo, cauda e coberturas internas na asa. A muda começa em Fevereiro e pode estender-se até Junho.
De acordo com Jonsson & Tysse (1992) in Byrkjedal, I, (2011), os juvenis retêm grande parte da coloração de juvenil , na cabeça, conservando a linha difusa entre o preto e o branco.
A ave de hoje, ainda que longe foi possível observar que não apresentava qualquer cobertura barrada típica de Juvenis, o que a 18 de Fevereiro ainda se esperaria algumas coberturas por mudar, apresenta também um bom contraste entre a linha do branco e preto na cabeça.
Seria necessário uma observação mais próxima para averiguar qual a idade exacta da ave, pelo que uma ave de 3cy não pode ser excluída. Contudo creio que é possível afirmar com alguma segurança que se trata de um ind. diferente do dia 28 de Novembro.
Um dado interessante e que pode manter esta ave por perto, é o facto de poder estar a fazer uma muda completa e simultânea das primárias, muda esta que a deixa incapacitada de voar. (Baker 1993).
Não consegui observar se a ave estava em muda ou não, o vento forte, a ondulação e a distância, tornavam muito difícil a sua observação.
18 Janeiro 2013
28 de Novembro 2012
Postado por: Helder Cardoso; Fotos: Helder Cardoso
Hoje ao final da tarde, eu o Pedro Ramalho e o Isidoro, encontrámos no molhe Leste, Peniche, esta gaivota que possui características de Larus michahellis atlantis, 3cy. Devido à enorme variabilidade nas plumagens de Larus fuscus, ainda estamos a analisar as fotografias. Esperamos relocalizar a ave e conseguir melhores fotos. Ficam aqui as imagens possíveis: Agradecemos comentários às imagens e todas as opiniões. Postado por: Helder Cardoso, Fotos: Isidoro (2,3,4); Helder (1).
Hoje em Peniche:
Reparem como a tonalidade do cinza e a forma da cabeça muda mediante a luz e o ângulo...
Uma gaivota de manto 1 a 2 tons mais claro que L. michahellis, tibias curtas e de peito cheio captou-me o olho, num bando misto de L. fuscus, L. michahellis e L. marinus.
O vermiculado fino nas coberturas e nas escapulares de 2ª geração, o branco extenso nas Terciárias, pareciam consolidar a hipótese de L.argentatus...pela muda avançada no manto e pela restrição a umas 5 ou 6 médias coberturas de 3ª geração, este padrão parece surgir especialmente em maior frequência em L. a. argentatus ao passo que L. a. argenteus pode apresentar todas as médias coberturas mudadas. (K.Mailling Olsen).
A "janela" nas primárias parece surgir da P5-P1
O padrão da cauda parece sugerir L. michahellis, com preto na base, subindo com algum vermiculado, ainda que neste ponto (como em tantos outros) a variabilidade é grande.
A íris é bastante clara para a idade, comum também em L. michahellis lusitanicus.
As primárias, a meu ver, são um pouco ambíguas, parecendo uma projecção mais pronunciada que seria de esperar para L. argentatus, mas é mantida ao nível, talvez até ligeiramente abaixo, da cauda...frequente em argentatus.
As Primárias são também elas ambíguas na sua forma e estado de conservação, mas a meu ver sugerindo PP´s de 2ª geração.
Com o mudar de ângulo o formato da cabeça passa de angular a redondo, mas note-se que conserva o "olhar feroz".
O bico não é muito forte e angular para argentatus.
Em suma esta ave quer seja uma L.argentatus ou um traiçoeira Larus michahellis lusitanicus é sem dúvida interessante.
Postado por: Helder Cardoso
Larus fuscus (L f. fuscus?), um ind. bastante escuro, com uma muda limitadas nas escapulares, apresentando um padrão típico de L. fuscus fuscus Detalhe do olho de Larus michahellis, 3cy. Mandíbula inferior clara, é possível observar o desgaste nas penas do manto. Larus marinus, 2cy Postado por: Helder Cardoso; Fotos: Helder Cardoso
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